Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

jigajoga

jigajoga

12
Jan22

As mariposas da argumentação

Alface do Campo

Tive, no Twitter, uma desconversa que, apesar de breve, me moeu a cabeça. Partiu de uma acusação de que alguém defenderia que ganhássemos todos o mesmo, independentemente da responsabilidade associada a cada profissão, o que, no dizer do acusador, equivaleria a miséria para todos.

O argumento de base (a responsabilidade) já é bizantino que chegue. A responsabilidade associada a cada actividade profissional é uma questão bastante subjectiva. Um futebolista de primeira água tem mais responsabilidade do que um cirurgião? Uma empregada de limpeza tem menos responsabilidade do que um gestor? É que o mundo precisa mais de cirurgiões do que de futebolistas e é mais imediatamente útil uma empregada de limpeza do que um gestor, mas um futebolista superstar ganha mais num mês do que um cirurgião em dez anos e um gestor, se for daqueles bem pagos, ganha mais num ano em bónus do que uma empregada de limpeza durante toda a vida. E foi isto que respondi.

A resposta foi que, se todos ganhassem o mesmo, não haveria incentivo para fazer um trabalho bem feito, o que é um argumento curioso (e parvo) além de que o inicial argumento da “responsabilidade” já foi com os porcos. Se regressarmos à empregada de limpeza versus o gestor, e se o valor do salário está diretamente ligado à perfeição do trabalho feito, então as empregadas de limpeza devem trabalhar todas mal, porque ganham uma merda, e os gestores devem ser epítome da perfeição laboral divina, porque são regiamente pagos.

O contra argumento foi que (além de eu ser comunista, que nem sei a que propósito veio) uma boa empregada de limpeza ganha mais do que uma má empregada de limpeza e um mau gestor menos do que um bom gestor. Isto, claro, para além de ter logo descartado o argumento do “diferencial do salário como incentivo ao bom desempenho da profissão”, continua a não responder à questão de fundo: o pior dos gestores ganha muito mais do que a melhor empregada de limpeza. A este saltitar de linha de argumentação em linha de argumentação eu chamo desconversar e desisti.

Aqui, na minha casota, completo o raciocínio que se ia perdendo na desconversa: não vejo grande problema em ganharmos todos o mesmo ou em as diferenças salariais serem mínimas desde que toda a gente ganhe o suficiente para viver de forma digna e haja uma rede social universal que nos garanta proteção contra as más surpresas da vida. Dormiria bem mais descansada se o mundo assim fosse. O que me tira o sono é saber que há muitos milhões de pessoas em todo o mundo que trabalham a tempo inteiro, às vezes até em mais do que um emprego, e não conseguem pagar a comida e a casa. Isso é que é chocante.

05
Nov21

Não ter vergonha na cara é isto

Alface do Campo

Acabo de receber no meu e-mail institucional, reencaminhado pela Direção da Escola, uma mensagem a anunciar uma Acção de Formação (a pagantes) tendo como tema o «burnout» na classe docente. 

O arrazoado termina assim (sic, incluindo a vírgula entre sujeito e predicado, destaque meu):

O burnout aparece como uma das principais causas de desmotivação profissional, do absentismo, e de abandono da profissão.

Esta ação de formação, visa sensibilizar a classe para o risco dos efeitos do stress associado à docência, propondo o treino de competências para a prevenção e intervenção que salvaguarde e devolva o bem-estar e qualidade de vida aos professores na escola.

 

Os objetivos da mesma são os seguintes:

  1. Conhecer o conceito de Burnout
  2. Saber identificar os fatores desencadeantes do Burnout
  3. Saber identificar as fases da instalação da exaustão
  4. Saber identificar os sintomas do Burnout
  5. Conhecer os instrumentos de avaliação do Burnout e stress
  6. Conhecer as diferentes estratégias de prevenção e intervenção no Burnout
  7. Elaborar um Plano Individual de Prevenção de Burnout

 

Ou seja, andamos cansados, esgotados pelo excesso de trabalho, muito dele burocrático, redundante, imbecilizante e inútil, mas a culpa é nossa, que ainda não elaborámos um plano individual de prevenção de burnout, por falta das competências necessárias.

 

03
Mar21

Ando a precisar de mudar de óculos

Alface do Campo

Hoje, no Blasfémias (sem link) Telmo Azevedo Fernandes “prova” que os funcionários públicos não pagam IRS. É uma das mais velhas falácias usadas na permanente caça aberta ao funcionário público que existe provavelmente desde que existe funcionalismo público. Curiosamente, é sobretudo querida é usada pelos mesmos que, noutras batidas da mesma caça, atiram com os salários brutos para “provar” as fortunas obscenas que os funcionários públicos auferem.

Tudo isto já foi exaustivamente desmontado dezenas de vezes, mas os TAF desta vida não desistem de, eles que tanto acusam de inveja qualquer alma à esquerda do CDS (paz à sua alma), acicatar a inveja dos desprevenidos que os lêem e só se lembram de que os funcionários públicos não podem ser facilmente despedidos, em vez de se lembrarem que funcionários públicos são sobretudo os que tiram das ruas o lixo que eles fazem, os que os tratam quando estão doentes, os que lhes ensinam (e muitas vezes educam) os filhos, os que limpam as ruas por onde passam e cuidam dos parques e jardins onde passeiam... ou seja, se amanhã acordassem e todos os funcionários públicos tivessem desaparecido, haviam de lhes dar pela falta. Já pela falta dos TAF...

04
Jan21

Ditosa pátria que tais filhos tem

Alface do Campo

Os que escrevem estes dislates e neles refocilam com tanta satisfação:

"começamos o ano com a campanha eleitoral mais inconsequente de sempre para o cargo mais estético de sempre no país mais palerminha de sempre."

(do Blasfémias, sem link)

Porque estas almas iluminadas das duas, uma: ou se subtraem à palermice geral e então não se percebe por que razão é que ainda não empreenderam a salvação nacional ou o que estão ainda a fazer neste coio de palermas com tanto país a abarrotar de inteligência que por esse mundo há, ou estão a reconhecer a sua mediocridade que apenas lhes permite reconhecer a palermice geral e os deixa incapazes de mais do que estes ocasionais arrotos da posta de pescada habitual. 

23
Set20

Não s'aprende nada!

Alface do Campo

Cada vez me lembro mais de uma coisa que ouvi ao meu saudoso pai aqui há muitos anos:

"Nos anos 70, dizíamos, com optimismo, que no início do novo século o comum dos mortais teria de trabalhar, no máximo, umas 10 horas por semana. Chegamos ao início do século e o esforço necessário anda mesmo à volta de 10 horas de trabalho semanais. Mas o que temos é um desgraçado a trabalhar 40 horas por semana e três infelizes desempregados! Não aprendemos nada... "

Lembrei-me de novo disto a propósito deste post.

02
Set20

Porquê?

Alface do Campo

IMG_20200902_152802.jpg

Bem sei que temos de "agradecer" a Maria de Lurdes Rodrigues a transformação dos professores na classe profissional mais difamada e odiada, mas continua a surpreender-me a violência com que este ódio irrompe. Porquê?

Conheço imensos professores, aliás quase que só conheço professores e nunca conheci um cujo "maior interesse" fosse "receber sem dar aulas" (que os haverá, decerto, nenhum grupo profissional é constituído unicamente por seres perfeitos). Qual é o interesse, qual é a utilidade de, sistematicamente, difamar, maldizer e atacar as pessoas que diariamente educam, ensinam e guardam as crianças e jovens do país? Às vezes pergunto-me como é que os pais ainda confiam os filhos aos professores depois de lerem e ouvirem dizer tanto mal de nós...

(textículo retirado do blogue Corta-fitas, sem link) 

14
Abr20

Há dias e dias...

Alface do Campo

Passando os olhos pelos artigos de opinião do Público, percebi que hoje é dia de dizer mal.

É o confinamento e a distância social que estão a resultar em Portugal... mas pelas piores razões: segundo quem escreve, porque o interior está deserto (?) e no ambiente urbano somos (quase) todos tão pouco cultos e tão bacocos que nos contentamos com a televisão e a Internet (será de supor que o autor se considera excluído desta bacoquice geral).

Também é a falta de contestação: então este pessoal aceita ficar em estado de emergência durante mais tempo? Não há vozes contra? Manifestações e manifestos, onde estão?

Como muito bem escreve alguém nos comentários: arre, que se somos maus é porque somos maus, se somos bons é porque somos bons pelas razões erradas! 

22
Mar20

Ler os outros - OLH'A DEMAGOGIA FRESQUINHA!

Alface do Campo

IMG_20200322_114911.jpg

Do blogue "Blasfémias" (sem link, não há cá pão p'ra malucos) com uma questão: que necessidade há disto? As artes pertencem a todos e não, não são devaneios ociosos de gente desocupada. São um elemento essencial para a saúde das sociedades.

O pior é que quem escreve estas enormidades sabe bem disso, mas a demagogia faz tanto efeito, não é?

Blhék! 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub